Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Antologia dos Imortais — Autores diversos — 1ª Parte


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Silva Lobato


ÚLTIMO INSTANTE

  1 Tudo parece agora o termo do caminho…

  O velho carrilhão bate as horas na sala:

  É a palavra do tempo ao coração que estala,

  Afirmando, cruel, que partirei sozinho. n


  2 Lá fora, ruge o vento ululante e escarninho.

  Fito, além da janela, o céu de cinza e opala…

  “Adeus! Adeus! Adeus!…” — geme o peito sem fala, n

  Algemado à aflição de estranho pelourinho.


  3 Desce, torva, no olhar, a noite em que me espanto,

  Resume-se a existência às gotas de meu pranto.

  Silêncio, sombra, nada… A morte e a despedida…


  4 Mas súbito clarão rasga as trevas do quarto.

  Ai!… o corpo é grilhão de que, enfim, me descarto,

  Para exaltar, cantando, o esplendor de outra vida!


Manuel da SILVA LOBATO — Poeta notável. Um dos fundadores da revista Heliópolis, em sua cidade natal. Jornalista, desempenhou as funções de redator do Diário de Notícias, no Rio de Janeiro. Viveu uma existência atribulada, mas com resignação, caracterizando-se pela sua simplicidade e bondade. Informa Mariano Lemos (Poetas…, pág. 329) que Silva Lobato foi membro da Academia Pernambucana de Letras, tendo ocupado a cadeira n.° 26. (Recife, Pernambuco, 10 de Setembro de 1886 — Rio de Janeiro, Gb, 4 de Junho de 1931.)

BIBLIOGRAFIA: Flauta de Pã; Céus do Brasil; e diversos livros inéditos.



[1] Leia-se cru-el, como dissílabo.

[2]Adeus! Adeus! Adeus!…”: Epizeuxe — “Nome dado à FIGURA que resulta quando se repete a mesma palavra, sem intervalo, …” (Geir Campos, Op. cit.)


(Psicografia de Francisco C. Xavier)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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