Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartas de uma morta — Maria João de Deus


17


No limiar dos grandes acontecimentos

(Sumário)

1 No local onde nos encontramos, muito profundo e crescente é o nosso interesse pelos estudos, os quais vão sendo aperfeiçoados por nós, ao preço de iniciativas nem sempre facilmente conquistadas.

2 Como já tive ocasião de observar, as minhas atividades se desenvolvem em torno de um grande número de entidades que apenas se dedicam aos problemas de socorro espiritual a todas as almas que sofrem e se redimem na Terra, no cadinho das renúncias e dos grandes sacrifícios.

3 Ultimamente, estivemos reunidos em extraordinários movimentos, junto à ponte a que já me referi, e que atravessa a distância incomensurável que separa o vosso orbe da primeira Esfera que lhe é concêntrica. São inúmeros os Espíritos que se debatem do lado oposto àquele em que nos encontramos, esforçando-se para realizarem a difícil travessia. [Vide referências à ponte pêncil no livro Voltei: A ponte iluminada]


Espíritos alucinados


2 Dolorosos são os espetáculos que vimos presenciando porque essas almas perturbadas e sofredoras estão constituindo uma turba imensa de alucinados e de loucos. 2 Muitos dos nossos companheiros corajosamente atravessam o abismo (em certas ocasiões esses movimentos oferecem perigos para os Espíritos inexperientes de minha Esfera, perigos esses de natureza fluídica, condizentes portanto com os elementos de nossa matéria e organização) mas são frustrados os seus esforços no sentido de consolar essas criaturas amotinadas.

3 Figurai alguém sob o império de um sofrimento indescritível: a dor lhe impressiona de tal maneira, desorganizando-lhe a faculdade sensorial, que semelhante criatura é incapaz de ouvir o consolo fraterno ou a amiga exortação.

4 E talvez devido a esse estado de extrema perturbação que as almas aflitas, em cujo socorro estamos ocupados, não nos ouvem, entregando-se às mais dolorosas imprecações. Súplicas, brados angustiosos, soluços, gemidos, repercutem junto de nós e temos procurado, no refúgio da prece a Deus, os recursos necessários para essas coletividades espirituais, egressas do planeta nestes últimos dias. 5 São muito raras as individualidades que conseguem ouvir o nosso chamado ou apreender as nossas observações.


A tarefa da salvação


3 Temos aqui instrumentos semelhantes a barcos salvadores, onde alguns Espíritos conseguem se transportar para o nosso meio, para se entregarem a tratamento e ao repouso que lhes são necessários, porém, as condições psíquicas dessas almas são muito lamentáveis. 2 Demasiado comovedores são os gritos maternos, as preces fervorosas e angustiadas que temos ouvido, filhas do gemer opresso de mães infelizes. 3 A todos buscamos oferecer o concurso de nossa assistência, todavia é difícil lograrmos um resultado imediato e efetivo.

4 Não obstante a incompreensão, com a qual somos geralmente recebidos, ainda conseguimos evitar muitos males e afastar muitos infortúnios dentro das possibilidades de nossa influência indireta.


Um novo ciclo evolutivo


4 Interpelamos os Mestres que nos dirigem sobre os quadros dolorosos a que vimos assistindo, com infinita mágoa, em virtude das derradeiras lutas fratricidas que se vêm desenrolando na superfície do planeta. E os nossos venerandos mentores espirituais sempre nos elucidam explicando que a Terra se acha em vias de conhecer um novo ciclo evolutivo.

2 Explicam-nos, então, que esses movimentos objetivam não só o cumprimento exato das provações individuais e coletivas dos homens e dos povos, como também representam um trabalho de drenagem sobre as multidões humanas, selecionando as almas então encarnadas nesse mundo.


As correntes migratórias


5 Os nossos Mestres nos falaram das grandes correntes migratórias que modificam as civilizações, asseverando que o mundo atual se encontra à beira desses movimentos inevitáveis. Compreendemos, então, que todos os progressos da civilização terrestre dependem da economia, sobre cuja base repousa todo o edifício da organização social.

2 Soubemos assim que, em tempos remotíssimos, quando o planeta se encontrava em vésperas de inaugurar nova posição progressiva, ocorreu o deslocamento das raças arianas que invadiram os territórios europeus. 3 O congestionamento de certos países, o problema da economia regulamentada, a necessidade de expansão que muitas nacionalidades experimentam nos tempos modernos constituem uma determinação desesperada dessas correntes migratórias, cuja passagem é assinalada por guerras destruidoras, ensaiando novas soluções para as magnas questões da vida coletiva.

3 Afirmam, portanto, os nossos guias que apenas começamos a presenciar os grandes acontecimentos que, fatalmente, terão de ocorrer nos anos vindouros. As raças amarelas e determinados núcleos da civilização ocidental requerem expansão e nova fonte econômica para a solução dos problemas que os assoberbam; e, nesses dolorosos movimentos, mas necessários, a humanidade se depura, aperfeiçoando-se cada vez mais para o seu glorioso futuro espiritual. 4 Reconhecendo-se embora tudo isso, para as almas dotadas de pouca experiência, com respeito a esses enigmas dos povos, os quadros isolados, como nos é dado conhecer, são profundamente angustiosos.

5 Mas a dor, a dor soberana que aí na Terra dobra toda a cerviz e subjuga todas as frontes, essa está igualmente aqui conosco, na aquisição de ensinamentos, exercendo a sua função de remodelar e de aperfeiçoar toda a glória suprema da vida.


6 Todavia, Senhor, vós que sois a grandeza e a misericórdia suprema do Universo, estendei as vossas mãos magnânimas para a Terra, mansão de sombras e de provações, onde irmãos nossos se entregam ao mais proveitoso dos aprendizados.

7 Dá-lhes fortaleza de ânimo e resignação nos embates contra a adversidade dolorosa, alçando os seus olhos para os vossos impérios resplandecentes, onde compreendemos as luminosas afirmações da Vida Espiritual.

8 Protegei-os a todos, Senhor, integrando as suas consciências no caminho retilíneo da salvação e os seus entendimentos na compreensão profunda das vossas leis. Que a Terra conheça a nova era do amor e da fraternidade espiritual.


.Maria João de .Deus


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir