Bíblia do CaminhoTestamento Xavieriano

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Volta Bocage — Manuel M. B. du Bocage


Soneto 1

(Psicografado em 25/11/1946)


  1 Vive o homem no mundo sorte dura,

  Por estranho caminho arremessado;

  Fero titã cativo a negro fado,

  Do berço morno à fria sepultura.


   2 Triste filho dos céus, de alma perjura,

  Desprezível Adão acorrentado

  Ao desterro de sombras do passado,

  Respira o lodo e chora a desventura!


   3 Ao vão orgulho — a esse deus imigo,

  Altares vãos erige, por vaidade,

  Que, na treva, o mantém revel mendigo!


   4 Por mais altos pregões a fé lhe brade,

  Traz, desditoso, o cárcere consigo,

  Atado à Morte em plena Eternidade.


.Du Bocage


Ensina que o homem é um anjo decaído, em consequência do mau uso que fez de seu livre-arbítrio: tem-se, deste modo, a figura do “pecado original”. Seu passado de culpas arremessou a criatura num mundo infeliz, onde deve expiar suas faltas em duras provas. Infelizmente, em vez de se submeter à dor, que redime, o homem se rebela por orgulho, que lhe agrava a situação, e assim prolonga seu cativeiro no cárcere da matéria.


.L. C. Porto Carreiro Neto


NOTA: Alguns versos, como os tercetos acima, além de outros, foram depois modificados pelo Espírito comunicante.

A ortografia do original, redigido a lápis pelo médium, em toda esta série de sonetos, é a antiga, o que mais testemunha a veracidade da autoria destas produções. Este acréscimo de testemunho se entende com os incrédulos, não, evidentemente, com os confrades. Diremos, a propósito, com o excelso Camões:

“Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,

E não a mi, que creio o que podeis.”


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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