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Baltazar


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Baltazar ou Belsazar [Do babilônico Bel-shar-usur, Bel protege o rei] W


Um rei da Caldeia, que reinou por mais ou menos três anos (Dn 8.1) aparentemente como co-regente de seu pai (5.16, 29, por implicação), e foi morto numa noite memorável (30). De acordo com registros babilônicos contemporâneos, ele era o filho mais velho de Nabonido e neto de um príncipe sábio e poderoso. A rainha de Babilônia, provavelmente esposa de Nabonido, Belsazar e Daniel seu contemporâneo, falam de Nabucodonosor  como sendo o pai de Belsazar (5.11,13); e seu pai Nabonido, falando de si, menciona “os reis, seus pais”. É bem possível que Belsazar descendia, ao menos por sua mãe, de Nabucodonosor; mas as palavras referentes a Belsazar na noite do banquete também podem ser explicadas pelo uso amplo da palavra pai por um predecessor no mesmo ofício. Nabucodonosor fala de Naramsin, que reinou três mil anos antes dele, como “o rei, o antigo pai” embora indubitavelmente nenhuma consanguinidade existisse entre eles.


Sargom, rei da Assíria, como Nabonido um usurpador, diz ser dotado de entendimento além “dos reis, meus pais” (Cilindro 48). Os deputados das cidades da Jônia aconselharam Seleuco Nicanor aderir à política dos seus “antepassados”, embora apenas um antepassado seu houvesse sentado no trono. No parlatório da corte Belsazar era tratado como filho de Nabucodonosor, politicamente seu descendente, e seu sucessor no trono. Em 555 A. C., o primeiro ano do reinado de seu pai, ele ocupava uma casa em Babilônia; e parece haver tomado para seu próprio serviço pelo menos dois servos que haviam pertencidos à casa do recente rei  Nergalsarusur. Durante os anos que seu pai permaneceu em Tema, Belsazar estava com o exército que estava aquartelado no distrito de Acade, ao norte de Babilônia e na fronteira do sul da Assíria. O filho do rei, como informalmente era intitulado, não só tinha o comando nominal ou atual das tropas, mas também representava seu pai em certos deveres religiosos, administrativos e domésticos. Não longe do acampamento militar em Acade estava a cidade de Sípara; e repetidas vezes os documentos certificaram a remessa de ovelhas e bois para os templos em Sípara como um oferecimento do rei, e mesmo de uma língua de ouro como um presente ao sol-deus. As inscrições que foram gravadas em Ur por ordem de Nabonido para comemorar a restauração do templo do deus-lua são peculiares e significativas porque o rei, depois de orar para si, invariavelmente adiciona uma petição para Belsazar. “Quanto a mim, Nabonido, rei de Babilônia, livra-me do pecado contra vossa grande natureza divina e concede a mim longos dias. E concernente a Belsazar meu primogênito, a progênie do meu corpo, encha seu coração também com o temor da vossa grande divindade, que ele nunca possa ceder aos pecados, e concede-lhe dias abundantes e felizes.”


O general Ugbaru no tempo de Ciro, rei dos persas,  também chamado Gubaru, entrou em Babilônia no décimo sexto dia de Tamuz, quarto mês do ano 539 A. C. Vangloriaram-se que tinham tomado a cidade sem nenhuma batalha. Nabonido foi preso, e uma guarda de porta-escudeiros ficou estacionada nos portões do grande santuário Esagila por duas semanas. A cidade foi guardada por um exército estrangeiro, mas os documentos comerciais do tempo não indicam nenhuma interrupção dos negócios e nenhum sentimento de insegurança financeira. Em Babilônia, compravam-se e vendiam-se propriedades e as transações foram devidamente registradas; emprestava-se dinheiro, emitiam-se obrigações a pagar e casas eram tomadas em garantia. Os documentos continuaram, da mesma forma sendo, datados pelo ano do reinado de Nabonido, não obstante sua prisão. De fato, parece que além da restrição da liberdade de Nabonido, a família real não foi molestada nem seus bens ocupados. Belsazar até mesmo deu um presente em dinheiro que retirou da subsistência do rei para o deus-sol em Sípara. Não foi senão no terceiro dia do oitavo mês que Ciro fez sua entrada triunfal na Babilônia, e no magnífico palácio assentou seu trono soberano. Uma semana depois, na décima primeira noite, um fato importante aconteceu. A inscrição está levemente desfigurada, e vários dos caracteres escritos ficaram duvidosos; mas na opinião de peritos recentes a palavra filho está clara e certa. No registro lê-se a seguinte declaração: “No undécimo de Marchesvã, à noite, Gubaru em … matou o filho do rei”. Naquela noite, pois, Baltazar foi morto. Nenhuma ferida corpórea foi feita a seu pai Nabonido. Pelo contrário, de acordo com Berosus, embora Nabonido tenha sido privado da coroa e deportado de Babilônia, ele foi amavelmente tratado por Ciro, que concedeu-lhe bens na Carmânia, ao sul da Pérsia, e dotou-o com o governo da província. O banquete que Baltazar deu aos mil homens mais graduados da sua corte (Dn 5.1) ocorreu, nesta leitura do texto, um pouco mais cedo nesta undécima noite de Marchesvã. A julgar pelos registros contemporâneos, era bem provável que Baltazar, depois da ocupação da cidade pelas tropas persas, desse um grande banquete, obtendo para este propósito as taças de ouro e prata guardadas no templo de Marduque (5.2; Ed 1.7). Talvez a conspiração foi o motivo da festa. Veja Ciro e Daniel. — (Dicionário da Bíblia de John D. Davis©


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