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EPM — Estudo e Prática da Mediunidade

PROGRAMA II — MÓDULO DE ESTUDO Nº IV
FUNDAMENTAÇÃO ESPÍRITA — OS ESPÍRITOS COMUNICANTES

Roteiro 1


Manifestação mediúnica dos Espíritos


Objetivo específico: Explicar como se processa no psiquismo do médium a informação, oriunda da mente do desencarnado, durante o intercâmbio mediúnico.



SUBSÍDIOS


Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil. Paulo (1 Coríntios, 12:7)


1. CAPTAÇÃO E PROCESSAMENTO DA MENSAGEM MEDIÚNICA


Observemos a figura abaixo. Ela retrata as estruturas nervosas que, no encéfalo, são acionadas quando uma onda mental externa, oriunda de outra mente, nos atinge.


Fonte: Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. (Esquema adaptado) 1998.


LEGENDA

 1. A mensagem chega ao córtex cerebral percorrendo-o em toda a sua extensão.


 2. Acesso aos centros de memória: hipocampo, córtex entorrinal, corpo estriado e cerebelo.


 3.  Resposta emitida pelo médium após o processamento da mensagem.


1.1 — Explicações


Sugerimos que a figura, inserida na página anterior, seja consultada à medida que cada explicação é fornecida.


 1.  A mensagem (ideias ou informação), enviada pelo Espírito comunicante chega ao córtex cerebral do médium depois de ter atingido o perispírito, passando ao corpo físico, via centros de força, onde é captada pelos órgãos sensoriais. A mensagem percorre todo o córtex cerebral, em processo de “varredura” que, ao passar de um neurônio (célula nervosa fundamental) para outro, provoca pequenas descargas elétricas, numa reação em cadeia.

Obs.: Cada neurônio pode comunicar-se com os outros milhões de neurônios existentes no cérebro, sobretudo com os 100.000 aproximadamente existentes no córtex, o que torna o número de combinações entre eles quase infinito.


 2.  A mensagem sai do córtex cerebral e alcança regiões mais internas do cérebro. Nesse local, numa área denominada hipocampo — localizada no soalho inferior do ventrículo lateral do cérebro — a mensagem pode favorecer o acesso a memórias relacionadas a pessoas, melodias e fatos.

 Se o teor da mensagem, vinda do Espírito comunicante, envolve o conhecimento de línguas, as estruturas do hipocampo e do córtex entorrinal são acionadas simultaneamente. Se a mensagem, porém, está ligada à memória de atos instintivos, acontece um duplo acesso: um ao corpo estriado, estrutura localizada no próprio cérebro; e outro no cerebelo, centro de memória extracerebral, órgão localizado fora do cérebro, mas ainda no encéfalo. Vemos, assim, que o conteúdo da mensagem é que determina este ou aquele acesso aos centros de memória específicos. Este acesso pode ser feito a apenas um centro ou a todos. O importante é que a mensagem seja entendida (processada) para que ocorra a resposta apropriada.


 3.  O Processada a mensagem, é necessário que ela seja respondida, que uma decisão seja tomada. As decisões ocorrem em nível do córtex frontal, pela mente do Espírito. As decisões apresentam três aspectos: a) os de ordem intelectual ou racional; b) os de característica emocional/afetiva; c) os de natureza psicomotora.

Há ainda dois pontos que devem ser considerados:

  • O processamento da mensagem na mente do médium, evidenciada durante a manifestação mediúnica, traz o “colorido” das suas ideias e de suas emoções. Quanto maior for a sintonia entre o médium e o Espírito comunicante a transmissão da mensagem será mais precisa.

  • As manifestações de Espíritos necessitados são sentidas com mais intensidade, resultante das ações nos sistemas nervoso (central e periférico) e endócrino do médium, quais sejam: crises de choro, manifestações de tristeza ou de raiva; batimentos acelerados do coração, dificuldade para respirar etc.

2. CARACTERÍSTICAS DA MANIFESTAÇÃO DOS ESPÍRITOS


Os impulsos intelectuais e emocionais da entidade comunicante atingem as estruturas nervosas e endócrinas do médium por meio dos respectivos perispíritos, favorecendo a aceitação da comunicação mediúnica. Na verdade, o médium harmonizado pode impedir a manifestação da entidade desde o início, quando começa o envolvimento fluídico. Entretanto, pode fazê-lo mais tarde, durante a ligação mental. O médium só não tem liberdade de recusar a comunicação do Espírito quando se encontra sob o jugo obsessivo ou, ainda, em processo de educação da mediunidade, na fase inicial da prática mediúnica.

 Há indicações de que, qualquer que seja a natureza, tipo ou grau que o fenômeno mediúnico apresente, o sistema nervoso central e o autônomo são atingidos como um todo, especialmente o cérebro, uma vez que ele controla as emoções, o aprendizado, a linguagem e o pensamento. Além do córtex, merecem destaque os lobos frontais cerebrais porque estão ligados às funções de conhecimento, motricidade e expressão verbal, que tornam, na maioria das vezes, a comunicação mediúnica clara, lúcida e compreensível. Há outras estruturas também envolvidas na manifestação mediúnica dos Espíritos: são os plexos nervosos, intimamente relacionados aos Centros de Força do perispírito. O perispírito «[…] está intimamente regido por sete centros de força, que se conjugam nas ramificações dos plexos [nervosos] e que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas [os neurônios], que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado.» (1)

O plexo coronário, relacionado ao centro de “força coronário” é o primeiro a ser envolvido nas comunicações mediúnicas.


Nele […] assenta a ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. Este centro recebe em primeiro lugar os estímulos do Espírito, comandando os demais, vibrando todavia com eles em justo regime de interdependência. […] Dele emanam as energias de sustentação do sistema nervoso e suas subdivisões, sendo o responsável pela alimentação das células do pensamento e o provedor de todos os recursos eletromagnéticos indispensáveis à estabilidade orgânica. É, por isso, o grande assimilador das energias solares e dos raios da Espiritualidade Superior capazes de favorecer a sublimação da alma. (2)


Em seguida, temos o “centro de força cerebral”, contíguo ao “centro coronário”. Este centro, «[…] que ordena as percepções de variada espécie, percepções essas que, na vestimenta carnal, constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à Palavra, à Cultura, à Arte, ao Saber. É no “centro cerebral” que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos.» (3)

Em seguida ao “centro cerebral”, temos o “centro laríngeo”, muito útil na mediunidade de psicofonia.


Preside os […] fenômenos vocais, inclusive às atividades do timo, da tireóide e das paratireóides. Logo após, identificamos o “centro cardíaco”, que sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral. Prosseguimos em nossas observações, assinalamos o “centro esplênico” que, no corpo denso, está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos. Continuando, identificamos o “centro gástrico”, que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização e, por fim, temos o “centro genésico”, em que se localiza o santuário do sexo, como templo modelador de formas e estímulos. (4)


Na psicofonia há ação direta sobre o centro laríngeo, sob o controle dos centros coronário e cerebral. Os médiuns psicofônicos, quando transmitem comunicações de Espíritos necessitados, costumam informar: aceleramento do batimento cardíaco, dificuldade para respirar, sensações de dor (localizada ou generalizada), pressão ou contração muscular, entre outras, conforme o tipo de sofrimento apresentado pelo Espírito comunicante. A agitação motora, caracterizada pela desarmonia de movimentos, por tonturas e zumbidos auditivos, observada em certas manifestações de Espíritos sofredores, evidencia ação no cerebelo e no sistema nervoso parassimpático (ação constritora).

Para que ocorra a psicografia, mister se faz que haja uma influência em todo o cérebro, sobretudo no córtex, nos lobos frontais e no cerebelo, a fim de que na captação da mensagem possa haver coordenação motora favorável à escrita.

Na mediunidade audiente, os centros nervosos da audição são atingidos, assim como o córtex cerebral e o sistema nervoso parassimpático.

Na vidência os Espíritos agem sobre: o córtex cerebral, os sistemas simpático e parassimpático, os centros nervosos ópticos e o cerebelo, interferindo na dilatação/contração da pupila e na produção lacrimal.

O Espírito produz, ainda, no médium, uma sobrecarga emotiva considerável, que implica conexões do sistema nervoso com as glândulas endócrinas, como hipotálamo (sensações de fome/sede), hipófise e suprarrenais (produção de adrenalina), tireóide (aceleração de funções metabólicas) e, naturalmente, a pineal (glândula da vida mental) que tem ascensão sobre as demais glândulas.

Na mediunidade de efeitos físicos há produção aumentada de fluidos ectoplasmáticos, caracterizando ação na região dos plexos esplênico e gástrico (sistema nervoso autônomo).

O médium harmonizado, entretanto, consegue administrar essas e outras somatizações com êxito, apoiando-se nos benfeitores espirituais.

No início deste Roteiro introduzimos esta citação de Paulo aos Coríntios: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.” (1 Cor) Fica evidente que o importante, de fato, não é o intercâmbio mediúnico em si, mas o que daí resulta de bom e útil.


Enriqueça o homem a própria iluminação íntima, intensifique o poder espiritual, através do conhecimento e do amor, e entrará na posse de tesouros eternos, de modo natural, Muitos aprendizes desejariam ser grandes videntes ou admiráveis reveladores, embalados na perspectiva de superioridade, mas não se abalançam nem mesmo a meditar no suor da conquista sublime. Inclinam-se aos proventos, mas não cogitam do esforço. Nesse sentido, é interessante recordar que Simão Pedro, cujo espírito se sentia tão bem com o Mestre glorioso no Tabor, não suportou as angústias do Amigo flagelado no Calvário.

É justo que os discípulos pretendam o engrandecimento espiritual, todavia, quem possua faculdade humilde não a despreze porque o irmão mais próximo seja detentor de qualidades mais expressivas. Trabalhe cada um com o material que lhe foi confiado, convicto de que o Supremo Senhor não atende, no problema de manifestações espirituais, conforme o capricho humano, mas, sim, de acordo com a utilidade geral. (5)


Observação: Informações complementares sobre os assuntos analisados neste Roteiro são encontradas nos seguintes livros de autoria do Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, edição FEB:



Referências Bibliográficas:

1. XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. 22. ed. Rio de Janeiro: 2005. Capítulo 20 (Conflitos da alma), p. 163.

2. Idem, ibidem - p. 164-165.

3. Idem, ibidem - p. 165.

4. Idem, ibidem - p. 165-166.

5. Idem - Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 162 (Manifestações espirituais), p. 339-340.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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