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ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita — Programa Fundamental

Módulo XVIII — Esperanças e Consolações

Roteiro 1


Penas e gozos terrestres


Objetivo Geral: Possibilitar o entendimento do significado de esperanças e consolações segundo o Espiritismo.

Objetivos Específicos: Explicar o que são felicidade e infelicidade terrestres, segundo o Espiritismo. — Refletir a respeito das consequências dos atos humanos.



CONTEÚDO BÁSICO


  • O ser humano ainda não pode gozar de completa felicidade no planeta porque […] a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 920.

  • O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 921.

  • Já nesta vida somos punidos pelas infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a consequência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de consequência em consequência, caímos na desgraça. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 921 - comentário.

  • O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual, tem, na Terra, penas e gozos materiais. Sua felicidade consiste na satisfação fugaz de todos os seus desejos. […] A morte o assusta, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças. O homem moral, que se colocou acima das necessidades factícias criadas pelas paixões, já neste mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação de seus desejos lhe dá ao Espírito calma e serenidade. Ditoso pelo bem que faz, não há para ele decepções e as contrariedades lhe deslizam por sobre a alma, sem nenhuma impressão dolorosa deixarem. Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 941 - comentário.




SUGESTÕES DIDÁTICAS


Introdução:

  • Explicar, em linhas gerais, o que é felicidade e infelicidade terrestres, segundo o entendimento espírita. (O Livro dos Espíritos, questões 920 e 921)


Desenvolvimento:

  • Em seguida, pedir aos participantes que se organizem em grupos para a realização das seguintes tarefas:

    a) Leitura dos subsídios deste roteiro;

    b) Troca de ideias sobre o assunto lido, destacando os pontos relevantes;

    c) Recortes de imagens / gravuras, relacionadas aos estados de felicidade e infelicidade terrestres, retiradas de revistas colocadas à disposição dos grupos;

    d) Colagem dos recortes em folhas de papel pardo / cartolina;

    e) Apresentação das colagens, em plenária, por um ou mais relatores, indicados pelo grupo, relacionando-as aos estados de felicidade e infelicidade terrestres.

  • Completar as interpretações do grupo, se necessário.


Conclusão:

  • Tendo como base a exposição inicial, o conteúdo doutrinário dos Subsídios, e as conclusões do trabalho em grupo, utilizar a referência 3 deste roteiro [3ª do Conteúdo Básico], para concluir o tema, fazendo com a turma uma reflexão a respeito das consequências dos atos humanos.


Avaliação:

  • O estudo será considerado satisfatório se: a) os participantes souberem explicar o que é felicidade e infelicidade terrestres, interpretando corretamente os recortes selecionados e apresentados em plenária; b) os alunos refletirem, juntamente com o monitor, sobre as consequências dos atos humanos.


Técnica(s):

  • Exposição; colagem.


Recurso(s):



 

SUBSÍDIOS


Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra. Entretanto, mau grado às vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas ás mesmas vicissitudes, isto é, nas gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são um prelibar dos gozos celestes, imperecíveis; em vez de procurar a paz do coração, única felicidade real neste mundo, ele se mostra ávido de tudo o que o agitará e turbará, e, coisa singular! o homem, como que de intento, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar. […] Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si e não para cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. É calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida? (5)

Ignorando a realidade espiritual que o cerca e a continuidade da vida após a morte da corpo físico, o […] homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual, tem, na Terra, penas e gozos materiais. Sua felicidade consiste na satisfação fugaz de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada e angustiada pelas vicissitudes da vida, se conserva numa ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o assusta, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças. O homem moral, que se colocou acima das necessidades factícias criadas pelas paixões, já neste mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação de seus desejos lhe dá ao Espírito calma e serenidade. Ditoso pelo bem que faz, não há para ele decepções e as contrariedades lhe deslizam por sobre a alma, sem nenhuma impressão dolorosa deixarem. (10)

Dessa forma muitos […] se admiram de que na Terra haja tanta maldade e tantas paixões grosseiras, tantas misérias e enfermidades de toda natureza, e daí concluem que a espécie humana bem triste coisa é. Provém esse juízo do acanhada ponto de vista em que se colocam os que o emitem e que lhes dá falsa ideia do conjunto. Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda, mas apenas uma pequena fração da Humanidade. Com efeito, a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros orbes do Universo. Ora, o que é a população da Terra, em face da população total desses mundos? Muito menos que a de uma aldeia, em confronto com a de um grande império. A situação material e moral da Humanidade terrena nada tem que espante, desde que se leve em conta a destinação da Terra e a natureza dos que a habitam. (2)

Nesse sentido, sabemos que o planeta […] Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias. (1) O habitante do Planeta ainda não pode gozar de completa felicidade porque, aqui, […] a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o sertão feliz quanto possível na Terra. (6) Na verdade, o […] homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira. Aquele que se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do que uma estação temporária, uma como parada momentânea em péssima hospedaria. Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos para empreendê-la. (7)

Devemos lembrar que a nossa precária evolução espiritual representa sério obstáculo à correta utilização do livre-arbítrio, de forma que as nossas escolhas nem sempre são as mais acertadas. Entretanto, à medida que vamos incorporando maior cabedal de conhecimento e de moralidade, passamos a dar menos importância às exigências impostas pela vida no plano material. Neste sentido, o sentimento de posse, em geral aceito como um estado de felicidade plena, é substituído por outro: o de desprendimento das coisas materiais. Vemos, então, que verdadeiramente […] infeliz o homem só o é quando sofre da falta do necessário à vida e à saúde do corpo. Todavia — é oportuno destacar — , pode acontecer que essa privação seja de sua culpa. Então, só tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que lhe houver dado causa. (8)

Ensina-nos a Doutrina Espírita que de […] ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema. Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades. Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto, o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias. Diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o fere. Mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro. (9)

Compreendendo que somos nós os próprios artífices do destino, passamos a ser mais cuidadosos com os nossos desejos e com as nossas escolhas. Com o Espiritismo, dilatamos a visão a respeito das penas e gozos terrestres, percebendo que de […] duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida. Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam. Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vitimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição! Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos! Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma! Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade! Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero! Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, avais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles. Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição. A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria. Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente. (3)

Com efeito — esclarece o Espírito François-Nicolas-Madeleine, — nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram. Diante de tal fato, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e expiações. Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arquisecular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo. Em tese geral pode afirmar se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma séria de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão. Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados. (4)



 

ANEXO


À Dor

(Cruz e Souza)



Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Capítulo 3, item 4, p. 77.

2. Idem - Item 6, p. 78.

3. Id. - Capítulo 5, item 4, p. 107-108.

4. Id. - Item 20, p. 122-123.

5. Id. - Item 23, p. 127-128.

6. Idem - O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questão 920, p. 479.

7. Id. - Questão 921, p. 479-480.

8. Id. - Questão 927, p. 482.

9. Id. - Questão 933, p. 485.

10. Id. - Questão 941, p. 491-492.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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